20200326Juventude kContra a precariedade e os salários baixos, por trabalho com direitos e em segurança, contra os abusos patronais e os despedimentos, os jovens trabalhadores fazem ouvir as suas reivindicações, no dia em que se deveria ter realizado a manifestação nacional. Publicamos depoimentos de Ana Silva, Filipe Machado e Nídia Sousa.
26.3.2020

 


Por força da pandemia de COVID-19, foi suspensa a manifestação nacional da juventude trabalhadora, que estava convocada para hoje, 26 de Março, em Lisboa. Porém, não cessa a luta dos jovens trabalhadores nem a acção reivindicativa.
A situação excepcional que se vive coloca a nú a necessidade premente de investimento e valorização do Serviço Nacional de Saúde e dos seus profissionais, bem como dos demais serviços públicos.
20200326Juventude cartazMas fica evidente igualmente a natureza exploradora do patronato.
Multiplicam-se os casos de trabalhadores cujos contratos precários não foram renovados, de trabalhadores forçados a tirar férias, de trabalhadores cujos baixos salários sofrem um golpe numa altura em que aumentam as despesas.
A precariedade, que atinge ainda mais os jovens, deixa os trabalhadores mais expostos e vulneráveis, numa altura em que ainda seria mais necessária a estabilidade no emprego.
É necessário identificar e denunciar os abusos e atropelos que os jovens trabalhadores têm sofrido. É necessário assinalar este dia 26 de Março como dia de protesto, reivindicação e luta.


- Vídeo emitido no «tempo de antena» da CGTP-IN




Ana Silva, dirigente do SITE CSRA
Devido à pandemia de COVID-19, foi suspensa a manifestação nacional da juventude trabalhadora, que estava convocada pela Interjovem e pela CGTP-IN para hoje, 26 de Março.
Ana Silva, dirigente do SITE CSRA, apela a que não se descure as lutas, especialmente contra os baixos salários e os vínculos precários. Mais do que nunca, precisamos de estar unidos, para não deixar que esta pandemia seja mais uma razão para colocarem em causa os direitos fundamentais de todos nós.

 


Filipe Machado, dirigente do SITE Norte
A precariedade continua a ser um dos grandes flagelos dos jovens trabalhadores, diz Filipe Machado, dirigente do SITE Norte. O patronato aproveita o contexto em que vivemos para despedir de forma selvagem os jovens, pondo em causa o seu futuro. A cada posto de trabalho permanente deve corresponder um vínculo de trabalho efectivo.
Hoje não podemos sair à rua. Mas a luta continua.

 


Nídia Sousa, dirigente do SITE Sul
No Parque empresarial Blue Biz, em Setúbal, Nídia Sousa, dirigente do SITE Sul, fala sobre a Lauak, uma empresa da indústria aeronáutica, sector em grande expansão e que necessita de mão-de-obra qualificada.
A Lauak não valoriza essa qualificação. Pratica salários pouco acima do mínimo nacional e recorre frequentemente a contratação com vínculo precário. Tem um acordo com o IEFP para estágios profissionais, pagando uma miséria a quem trabalha de igual modo que os trabalhadores que estão no quadro da Lauak.
Os trabalhadores confrontam-se nesta empresa com imensos problemas. Já foi possível criar uma organização sindical e aumenta o número de sócios do SITE Sul.
Os trabalhadores revêem-se nas posições do sindicato e da CGTP-IN, em especial na exigência de aumento geral dos salários em 90 euros e do salário mínimo, de admissão, para 850 euros.