Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas - CGTP-IN

20240402IMS RogerioSilvaPortugal é, uma vez mais, um «caso de estudo» pela ausência de participação dos trabalhadores e das suas organizações representativas, no que às relações de trabalho diz respeito, no processo chamado «Indústria 4.0», afirma Rogério Silva.
7.4.2024

 

A crítica faz parte de um artigo do coordenador da Fiequimetal, publicado no âmbito do projecto IMS («Industry 4.0 in Metal Sector – advancing employee involvement for a smooth transition»; Indústria 4.0 no Sector Metalúrgico – promover o envolvimento dos trabalhadores para uma transição suave), financiado pela União Europeia e do qual a federação é parceira.

 


 

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Indústria 4.0 sector metalúrgico
uma oportunidade perdida?

  • Rogério Silva, coordenador da Fiequimetal

 

A UE desencadeou um processo de transformação industrial que combina a redução de emissões de carbono, com processos de produção mais amigos do ambiente e empresas mais sustentáveis, combinado com alterações tecnológicas assentes na designada «Indústria 4.0».

É um processo de transformação que exige o tempo adequado aos ajustamentos que as sociedades e a economia necessitam de concretizar, para que os impactos não sejam negativos, no plano social.

Não se conhece qual a estratégia do Governo para a transição digital, isto é, as metas e objectivos, de médio e longo prazo, que permitam gerar impactos no crescimento do emprego e contribuir para elevar a produtividade para outros patamares.

Quais são as áreas do sector metalúrgico prioritárias, que podem provocar um efeito de arrastamento no desenvolvimento industrial? Não se conhece.
Portugal é uma vez mais caso de estudo pela ausência de participação dos trabalhadores e das suas organizações representativas no que às relações de trabalho diz respeito.

O processo de digitalização poderia contribuir para dar espaço à criação de mais empresas e mais empregos de qualidade, com a inovação de produtos de valor acrescentado, que permitam penetrar em mercados internacionais e no mercado interno. Mas para que isso aconteça é necessário não deixar de fora os trabalhadores e as suas organizações.

Os trabalhadores são indispensáveis para que um processo desta envergadura tenha sucesso.

O processo de transformação tecnológica na indústria, para vingar, terá de ser acompanhado de um salto qualitativo nas condições de trabalho, designadamente na prevenção dos riscos, doenças profissionais e acidentes, na melhoria dos salários e qualificações, bem como na redução do horário de trabalho, de modo a libertar tempo e permitir uma melhor conciliação entre a vida profissional, pessoal e familiar.

Este processo apenas terá futuro, no contributo que pode dar para a economia, se tiver como objectivo alavancar a indústria nacional. Caso contrário, poderá ficar por mais uma corrida aos fundos comunitários, no caso ao PRR.

 

 

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