Cada um dos quatro plenários, realizados ontem e terça-feira na Autoeuropa, contou a participação do secretário-geral da CGTP-IN e de largas centenas de trabalhadores, de todas as empresas que laboram no parque industrial, que aprovaram a adesão à greve geral.
Com semelhante resultado, decorreram plenários na Lauak, na PREH, na AAPICO e na Inapal Metal, entre outras empresas.
4.12.2025
Tiago Oliveira considerou que é fundamental discutir com os trabalhadores aquilo que está no pacote laboral do Governo.
Ao usar da palavra no primeiro dos plenários na Autoeuropa, o secretário-geral da CGTP-IN abordou os eixos centrais, de que o Governo diz que não abdica, neste pacote de mais de cem alterações à legislação laboral. Alertou que tais mudanças iriam ter um impacto enorme na vida dos trabalhadores, caso se concretizassem:
- a normalização da precariedade, com o alargamento da duração máxima dos contratos de trabalho a termo certo e a termo incerto e também com alargamento do motivo justificativo para as empresas contratarem trabalhadores a prazo; as empresas passavam a poder contratar um trabalhador a prazo, desde que esse trabalhador nunca tivesse tido antes um vínculo efectivo;
- o regresso do banco de horas individual, porque as empresas não conseguem o que querem, com o banco de horas grupal; ora, com o banco de horas individual, teriam mais duas horas por dia, mais 10 horas por semana, mais 150 horas por ano, sem pagarem trabalho extraordinário;
- o ataque às crianças, aos pais, à família, retirando direitos na amamentação, no luto gestacional... Para o Governo, não é razoável que uma mãe tire duas horas por dia para amamentar o seu filho e que, depois, chegue ao fim do mês e receba como se estivesse a trabalhar. O Governo e os patrões querem é que a trabalhadora, sendo mãe, esteja sempre disponível para o trabalho, em detrimento de estar disponível para a família e para a criança;
- o ataque ao direito à greve, que é a última forma de luta que os trabalhadores têm, para equilibrarem uma balança que cada vez mais está desequilibrada em prol dos mesmos do costume;
- o ataque à liberdade sindical, impedindo os sindicatos de terem acesso aos locais de trabalho para falar com os trabalhadores, para sindicalizar os trabalhadores.
A quem interessa isto?
Tiago Oliveira desafiou cada um a interrogar-se: A quem é que interessa a precariedade? A quem é que interessa o banco de horas individual? A quem é que interessa atacar o direito à greve? A quem é que interessa colocar os sindicatos fora das empresas locais de trabalho? A quem é que interessa o outsourcing? A quem é que interessa o ataque às mães e às crianças?
Interessa a algum trabalhador? Se não interessa a nenhum trabalhador, interessa a quem?
- Intervenção de Tiago Oliveira, secretário-geral da CGTP-IN, no primeiro plenário na Autoeuropa
Parque industrial da VW Autoeuropa
PREH, Lauak, Inapal Metal
AAPICO
Ver também
— Plenários em unidade preparam grande greve geral (30.11.2025)















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