20181214FicocablesNo último dos quatro dias de greve realizados em Dezembro, sempre com forte adesão e com concentrações no exterior da fábrica, os trabalhadores da Fico Cables tomaram decisões de luta, caso a posição patronal não se altere no início de Janeiro.
15.12.2018

 

Sem uma efectiva resposta por parte da administração, os trabalhadores e o SITE Norte decidiram ontem realizar plenários no mês de Janeiro, para analisar a situação e, caso não haja evolução positiva, discutir e encetar novas formas de luta.

A decisão consta numa resolução aprovada no dia 14, sexta-feira, pelos trabalhadores que se reuniram à porta da fábrica, na Maia, nos três períodos de greve.

 

Reivindicações mais que justas

Na empresa do Grupo Ficosa (multinacional com sede em Barcelona), a administração continua com uma estratégia de total inflexibilidade, ignorando por completo as mais que justas reivindicações dos trabalhadores, nomeadamente: actualização salarial e do subsídio de alimentação, fim da discriminação por filiação sindical, fim da precariedade laboral.

Como se refere na resolução, dirigida à administração, os aumentos salariais de 2018 foram extramemente discriminatórios, excluíram uma quantidade significativa de trabalhadores e continuaram a ser atribuídos com base numa avaliação de desempenho profundamente injusta, discriminatória e desconhecida pela maior parte dos trabalhadores. É exigido aumento salarial igual para todos e o fim do processo de avaliação de desempenho como factor de atribuição de aumentos salariais.

Também o subsídio de alimentação é um factor de discriminação, sabendo-se que são praticados dois valores. Exige-se que o valor do subsídio de alimentação seja igual para todos os trabalhadores.

Existe discriminação entre trabalhadores, tendo em conta a sua filiação sindical e com base na caducidade da contratação colectiva. Isto põe a nu a estratégia da empresa, que tem por único objectivo dividir os trabalhadores e colocá-los uns contra os outros.

Sendo a precariedade um flagelo no País, a Fico Cables não é um bom exemplo. Os vínculos laborais precários só têm servido para aumentar a incerteza, a instabilidade e a exploração dos trabalhadores. Todos os trabalhadores que ocupam postos de trabalho permanentes devem estar com contrato de trabalho efectivo.

Por estes objectivos, realizaram-se greves de duas horas por turno nos dias 16 e 23 de Novembro e decorre, desde 30 de Novembro, greve ao trabalho suplementar, até final do ano.

 

 

 

Ver também:
- Greves na Fico Cables começaram ontem em força (4.12.2018)
- União e firmeza na Fico Cables para exigir resposta patronal (17.11.2018)